quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O domingo da volta


Seus olhos brilhavam, seus braços caiam, seus dedos tremiam e suas pernas vagavam, somente vagavam. Só pudera ser o vento o responsável pelos empurrões necessários. Ou Deus... Deus? Fale isso a ele!!!
O corpo cansado já não daria mais passos não fosse a saudade, a vontade e uma verdade: faltava pouco, muito pouco.
Guarra nunca faltou. Guerra era passado. O terno era muito pesado. E o termo, pra ele chulo: "advogado". Run, dizia ele.
Ele é cardozo. Ou Júnior para os íntimos. Estes eram os responsáveis por tentar torná-lo uma cópia fajuta do Cardozão.
João Paulo Cardozo (pai) era muito mais. e talvez só ele soubesse disso.
Mas a vontade individual e particular perdeu a queda de braço para a coletiva e tradicional.
No entando, o guerreiro foi, e o guerreiro voltou. Sempr de cabeça erguida. Apesar do fraço pensamento: "Isso tudo vai acabar e quando eu chegar em casa eles estarão orgulhosos de mim".
Pobre, deixou-se levar.

Outro corpo, outro morto, outro Cardozo. Esse era José, caminhoniro.
O Júnior nesse caso esperava em casa pela volta de seu pai. Filho único de pai caminhoneiro que não via fazia três meses.
José pensava como João e proferia a frase em voz alta, batendo o peito cansado: "Isso tudo vai acabar e quando eu chegar em casa eles estarão orgulhosos de mim".

Ê João...

... ê José...

Dentro do caminhão...

... e do lado, a pé.

Quando chegar em casa, ê João.

Muito orglho de mim, ê José.

E o espinho da roda feriu João.

Aquilo tudo realmente estava acabando... "quando eu chegar em casa eles estarão orgulhosos de mim


Infelizmente não foi bem assim que aconteceu.

* Inspirado na música "Domingo no Parque" de Gilberto Gil.

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