quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Um dia foram brancas as paredes do meu quarto



Me lembro com perfeição de pelo menos 15, das aproximadamente 30 horas que o dia parecia durar. Das outras 9, ou 15, não tenho exata lembrança, por conta disso, as ignoro, tentando não me confundir em meus próprios pensamentos. Coisa bastante constante nos dias de hoje, afinal, os compromissos são vezes sete e a cabeça já não é mais a mesma de 40 anos atrás.

Do que eu tinha, restou apenas um violão, com o qual só tive um convívio minimamente digno recentemente. Seis meses, chutando alto, muito alto. Essas cordas as vezes parecem ser 15 e o cheiro do meu falecido pai ainda é exalado por esse pacote de Jacarandá Mineiro.

Hoje, na mesma casa onde ainda guardo este violão - e tudo mais que me pertence - diversas outras coisas o acompanham. Mas estas, somadas e multiplicadas por três, não me trazem nem um terço da felicidade que as poucas e simples que o acompanhavam há quatro décadas, naqueles inesquecíveis dias.

As lembranças boas são incontáveis. O cheiro de goiaba no quantal, os pulos da cadela que passavam da minha cabeça, o ranger da agulha no vinil, os fins de tardes na varanda e as noites, durmidas sem preocupação no meu primeiro quarto. Grande, aconchegante, e transmissor da maior paz da minha vida, com aquelas paredes brancas que num final de semana pintamos eu e meu pai. E que hoje, só existe na memória.

Um comentário:

  1. É impressionante como eu posso dizer sem nenhuma pretenção: eu tenho muito o que aprender contigo.Você aqui dá saltos incriveis de maturidade na escrita, bom você sempre foi mas agora está cada vez melhor!Não suma nunca, apareça assim: quando quiser.Afinal a "casa" é sua, e a liberdade nas palavras também.
    ^^

    ResponderExcluir