sábado, 26 de fevereiro de 2011

Uma pedra, um mendigo, um pedaço de papelão(Coração Ferido)

Contando os passos, refletindo sobre o que acontecera e chutando uma pequena pedra quebrada pelas calçadas vazias de domingo no centro de um pequeno bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, avistei, do outro lado da rua, cercado de latas, mendigos e alguns sacos de lixo, um pequeno pedaço de papelão rasgado. Apenas mais um pedaço de papelão, um em meio aos montes existentes em quelquer aglomerado de lixo.
Contrastando com todo aquele ambiente feio, mas se igualando em tristeza, o pedaço de papelão, em si, não dizia muita coisa, mas alguém, cujo nome desconheço, e assinatura, quase ilegível e começada com ''D'' fez em arte exatamente o que se passava em mim no exato momento em que refletia vagando por aquela rua. Em tintas preta, vermelha e branca, um coração com uma flexa atravessada; escorrido como se sangrasse; e bastante ferido, como se muito tivesse apanhado, fez lembrar o meu pobre coração, ferido, sangrando e derretendo-se em lágrimas.

Danilo, Diogo, Daiane, Diane... ao certo não sei as letras que complementavam o ''D'' da assinatura do artista, como também não sei quem era e nem se ao menos era viva ainda a pessoa que fez de um pedaço de papelão, um espelho que refletia o meu estado. Sei também, que esse, não conhecia e nem viria a conhecer a imagem real do coração feriado que o mesmo desenhou.
Mas aquele '' D '', assim como a tristeza dos mendigo e a pequena pedra, chutada e estrassalhada, transmitiam com perfeição a minha dor.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os Galhos de Carlos

O vento sopra forte.
A chuva cai fina, fria e fraca.
No horizonte, galhos e pássaros viram um só.
A caneta continua à mão; e o papel, em branco.
O corpo continua ali, mas a mente, vai longe.
Vai longe e não traz nada. O papel continua em branco. Apenas com alguns desenhos e rabiscos no canto esquerdo, talvez a confusão de galhos e pássaros diante de seus olhos.
Ao lado, na rede que ainda balança, sua maior inspiração dorme; enquanto ele sonha acordado.
Ele diz que a ama.
Ela não escuta, mas no fundo, sabe.
Ele também não necessita ouvir pra saber que é amado.
Carlos coça a cabeça.
Renata continua a durmir
Carlos viaja pensando nela
Enquanto ela sonha
Carlos boceja bem alto, ainda pensando nela. Ele a ama
Renata esboça algum ruido
Algo parecido com ''Ricardo''.