quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pano Vermelho

Ao adentrar novamente em seu quarto, não pude deixar de notar. Não pude não me espantar. E quase não consegui acreditar.. que ao entrar... não foi nos seus olhos que olhei, nem foi seu insinuante corpo quase nu que admirei e nem foi sua boca que mirei. Tudo porque algo mais forte atraia meus olhares.

No canto do quarto, de baixo da cama havia um pano vermelho. Um familiar vermelho que me fez reconhecer aquele pedaço de pano.

Não era possível, como pude tê-lo esquecido?
E como pôde ter me deixado esquecer?

Seus olhos logo notaram que os meus não olhavam para os seus. Nem olhos, nem nada. E, enganados, te fizeram me questionar.
Mas não, não era para aquela social, branca e amarrotada que eu olhava, aliás, eu nem uso social, quanto mais branca. Era para aquele pedaço vermelho embolado que eu direcionava meu olhar. Aquele pano vermelho... como pude tê-lo esquecido?

Pano este que não espantou só a mim.
Assim como os meus olhos, os seus também se modificaram por causa do evento, no entanto, os seus encontravam arregalados, enquanto os meus sorriam. Sorriam como a minha boca.
Sua boca também sorria, porém seu sorriso forçado, restringia-se à boca, como o daquela blusa vermelha, que tinha como estampa, uma boca sorrindo. Enquanto a minha, tinha uma rosa branca. Rosa branca esta, que agora estava, além de branca, amassada, como a social branca que também estava no chão. E também não me pertencia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Primeira Partida

Parto do ponto inicial rumo à um manjadíssimo final.
Faço o parto das ideias
E faço parte das ideias
Para iniciar a parte mais completa e mais complexa.
Em meio à toda essa complexidade repartida em 3 partidas
Parto para o obstáculo, salto e paro.
Reparo que não vale a pena pulá-lo em vão
Me revolto e volto atrás da parte pulada e não passada.
Pra não partir a cara
Aqui ficarei. Pois essa foi a parte que escolhi
Essa era a parte que eu não tinha

Desconfio de que faço parte de você.
E acho que você é a parte que,
Sem a qual não sei viver.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Esferográfica mágica

Com a ponta da cabeça, observo o planeta.
Com a ponta da caneta, trascrevo os cometas, esvazio gavetas,
Cobiço cabeças, cobiço sorrisos, sorrio sozinho.
Rodo e contorno em torno da caneta
Assim como faço no meu rodamuinho.
Com a ponta da caneta ou com as teclas do teclado,
mesmo estando careta, eu viajo parado.
Com a ponta da caneta, me divirto até de olhos fechados
E até sem abri-los, observo o resultado.
Da ponta da caneta surge os traços
Que constroem meu mundo
Com a ponta da caneta me satisfaço
Apenas em alguns segundos.
Até acabar a tinta
Ou esvaziar a mente.
E chega ao fim...
...simplesmente.