terça-feira, 3 de agosto de 2010

Na janela paralela

De tarde deitado no meu quarto observo meu espelho, vejo nele uma superfície curva, como a lente de uma lupa, de uns óculos, ou de binóculos.

Só observando, não sei ao certo quão curva é a curva; nem como é tal curva. Não sei se a curva diminui, se ela aumenta, se somente reflete, se refrata, não sei.

Não só não sei, como também tenho muita curiosidade. No entanto também tenho muito medo de uma possível diminuição, ou talvez uma refração. Por conta disso, evito me olhar nesse espelho. Apenas o observo, de longe, de onde não é possível sequer saber o seu efeito.

Um dia tiro essa dúvida e me olho de vez no tal espelho.
Talvez veja meu futuro, talvez veja meu passado, minha vida, minha morte.

Quiçá a vida após a minha morte. Se eu aumento, alcanço o céu e a minha redenção; se reflito e volto para a terra na forma de um escorpião; ou se refrato, desvio da minha rota e vou parar em Plutão.

3 comentários:

  1. Acho que não cheguei a falar isso com vc, mas desde a primeira vez que eu li esse texto eu lembrei na hora das nossas manhãs e tardes de física no colégio... Nota-se que pelo menos a parte de ótica vc aprendeu direitinho, rs
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    Seus textos estão cada vez melhores, vc se supera a cada postagem. Em conteúdo, vocabulário, escrita, em TUDO. Sua evolução aqui no blog é nítida, e espero sinceramente que vc continue presenteando os desocupados que passam por aqui com textos ainda melhores.
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    Me orgulho de vc, rs *-*

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  2. ''Colhendo cogumelos na varanda de Cristal
    Avenida paralela toma forma de aspiral.''

    rsrs

    Oo Menina do Outdoor, sou tímido. rs

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