sábado, 24 de julho de 2010

Responda quem puder

Vejo as crianças brincando na minha rua. Minhas crianças... meus primos, irmãos mais novos de amigos e até filhos de amigos, brincando na mesma rua, em frente as mesma casas, quase do mesmo jeito.

Brincadeiras essas que, hoje se restingem a meia horinha de futebol no portão do vizinho, sendo atrapalhados constantemente por diversos carros, e são muitos os carros; esconde-esconde, se escondendo atrás desses mesmos carros que os atrapalham na hora do futebol, dentre outras coisas restritas ao concreto e paralelepipedos das rua, e no máximo, ao campo de terra batida da praça.

Onde estão as árvores que eu subia quando menor, que eu me escondia no pique-esconde,que eu caía, me ralava, que eu sentava e descançava debaixo de sua sombra?
E o nosso morro? Cadê as crianças subindo naquele morro?
Em que a única inseguraça era o medo de cair e se machucar, que os único obstaculos eras as pedras mais altas e as árvores espinhosas, e não as casas que hoje cercam seus únicos acessos.

E meu filho, o que vai ter para se divertir?

E amanhã, como será o amanhã?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

E o futuro se anuncia num outdoor luminoso

Vi uma menina no cartaz.

Vi a menina do cartaz.

Sempre vejo a menina do cartaz.

Não só no cartaz e não só quando realmente a vejo.

Vejo em outras pessoas,
Vejo no canto da rua,
Vejo no canto da sala,
Vejo no canto do quarto,
Vejo no canto da cama.

Vejo dentro do ônibus,
Vejo dentro de casa, dentro de outras casas, dentro de várias coisas,
Vejo dentro do PC,
Vejo até na televisão.
Vejo dentro do meu coração.

Sejam bem vindos ao meu pequeno pensamento.
Agora e quase sempre é nisso que eu penso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sem horas e sem dores ...

Abri o baú, e não vi o Raul, se quer ouvi o Raul, e essa, é uma das raras vezes em que não fiz tanta questão de ouvi-lo, mas não descarto essa possibilidade, pois só acrescentaria ao esperado espetáculo.

Abri o baú e li 5417648833608, como um código ou uma senha para uma coisa nova, um passaporte para um mundo Mágico, com palhaços, sorrisos, luzes, cores e alegria, como dentro de uma tela de cinema ou em cima de um palco de Teatro.

Abrir aquele baú, foi enxergar dentro dele a criança que existe dentro de mim, que ainda se diverte no circo, rindo do palhaço, surpreendendo-se com o ilusionista, remoendo-se apreensivo com o equilibrista e sorri aliviado e confuso pensando na mulher que continua inteira após ser fatiada.

Dessa vez não falo de um sonho. Esses números, acompanhado de algumas colunas pretas espassadas por branco, formam um código de barra que me garantem a entrada no show de hoje à noite.

O picadeiro está armado, à espera de seu ilustríssimos convidados, que dessa vez, também farão o show, sejam palhaços ou ilusionistas, domadores ou equilibristas E na mão de todos, seus ingressos que se diferem por códigos de barra, e fazem de cada um, único, assim como a noite, que espero que seja igualmente única.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Durma bem!

Minha cama não me dá ferraduras, selas, não me dá rodas e nem me permite voar.

Mas quando fecho os olhos tenho cavalos, carros, viagens e até avião.
Minha cama dá vida e asas à minha imaginação.

Bons sonhos!

domingo, 4 de julho de 2010

Diz que fui por aí.

Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí.
Levando um violão, alguns dreads, duas pernas, uma mochila e a cabeça.
Levando também umas letras cifradas, alguns poemas mal escritos, papel, tinta e caneta.

Sem nenhum rumo, sem preocupações e sem compromissos.
Na mochila um sanduíche, versos soltos e alguns livros.
Fotos pra recordar, muitas de amigos, e muitos amigos.
Não tenho fotos dela, apenas a lembrança singela. As melhores e mais belas.

Da minha mãe, guardo o pedido de juízo. Do meu pai, conselhos amigos. Dos amigos, a amizade.
Guardo também a certeza de que ela ainda existirá quando eu voltar, mesmo que eles não mais existam.

De tudo que já passei, saudade.
De tudo que passarei, vontade.

Muita coisa na cabeça, no bolso quase nada.
Uma cara de pau e um polegar pronto pra apontar pra alguma direção, em busca de carona ou de ao menos uma orientação.

Se quiseres saber se eu volto, pretendo.
Não antes do celular despertar e me chamar de volta para o meu tormento.