sábado, 26 de junho de 2010

H2O2

Caminhando, cantando e seguindo a canção. A canção, se não me falha a memória era um forró bem ruinzinho, bem no estilo ''você não vale nada mas eu gosto de você''. Junto da péssima canção, eu seguia também o balanço daquele 561, e como balança a parte de trás daquele ônibus. Mas mesmo com todo o balanço e desconforto foi possível avistar, naquele nublado início de tarde de quarta, quarta esta que não me recordo a data, porque naquele momento o mundo ao redor simplesmente parou, foi como Neosoro para meus olhos.

No alto de seus 1,76, reais 1,76 porque abaixo não havia salto e acima... aaaai.. acima, toda a douradeza de sua louridão.
O brilho do sol se escondia, talvez intimidado com a sintilância de seu sorriso, os olhos, cor de mel, um pouco orientalizado, pele branca como a de uma linda holandesa, quadril brasileiro e cintura que dava a maravilhosa impressão dos melhores violões dinamarqueses.

O olhar, quase um mistério, muita insistência foi precisa para se descobrir a cor de seus olhos, que insistiam em não cruzar com os meus. Não se cruzavam também com os de mais ninguém. Afinal, no alto de seus poderosos quase um e oitenta, não precisava cruzar com os olhos de ninguém.

Ao descer do coletivo, passou ao meu lado, seria fake se eu dissesse que pude sentir seu cheiro, afinal, do alto da janela de tras do Caxias não se sente muita coisa além de borracha queimada e algo parecido com fezes, no entanto, não entra na minha cabeça que aquela mulher tinha o cheiro diferente do mais perfeito.
E por fim pude perceber, que toda aquela perfeição em forma de loura, era também a falsidade em forma de água oxigenada.

Minha linda loura, tinha a raiz escurecida, minha linda loura, além de não ser minha, também não era loura.

Mas como diria Milton Leite... Que belezaa de morena!!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Que ecoem as vuvuzelas...

1,56 foi a desanimadora média de gols da primeira rodada da Copa do Mundo da África, dois foram os frangos engolidos pelos goleirões e o número de expulsões nos primeiros jogos. E três foi o número de gols necessários para que se calassem as tão comentadas vuvuzelas.

Entre sapatadas, butinadas, canelada e cornetadas contra a criticada Jabulani, desolação foi o que se viu na face dos não reconhecidos artistas das arquibandas sul-africanas. O brilho do sincero sorriso, que parecia nunca se esconder, se ofuscou.
Como é triste o silêncio. Ou melhor, como é triste ver em silêncio um povo que nasceu para cantar, dançar e sorrir.

É como se as bandeiras, luzes e cores abandonassem a torcida do Flamengo, como se a sanidade invadisse o ''bando de loucos'', como se o sorriso tomasse o lugar das lágrimas dos nossos queridos chorões botafoguenses.
É como se os argentinos parassem de cantar, os alemães começassem a sambar e os brasileiros dançassem tango ao som de música mexicana.

Como disse Desmond Tutu, ''na Alemanha não pararam de beber cerveja. Então, aqui, na África, não vamos parar de soprar nossas vuvuzelas.''

E tomara que não parem mesmo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Guerreiro? Eu sou é Brahmeiro!

Há quatro dias da tão aguardada estréia da Seleção brasileira na Copa do Mundo da África do Sul, nós, brasileiros, temos motivos de sobra para festejar.
As eleições não acontecerão agora, o vazamento que entope os oceanos de óleo se encontra bem longe do território brasileiro, o Maradona é tão mau técnico quanto o nosso amado Dunga e a nossa queridíssima seleção sequer toma conhecimento dos adversários e sai aplicando sonoras goleadas em território africano.

Foram simplesmente cinco gols para os guerreiros de Dunga no último amistoso; e mais três no anterior. Somando oito gols em dois jogos. Média mais alta do que a dos cobissadíssimos meninos da Vila.
Realmente... Muito animador!
Já posso ouvir os gritos de ''sou brasileiro com muito orgulho'' pulando garganta a fora. Os meio fios já intercalam as cores de nossas bandeiras. Bandeira essa, que já se encontra estampadas em janelas, portões, carros e paredes. Fios, postes e as casas mais altas, já se escondem em meio às fitilhas dependuradas nas ruas de todo o país. E a quase mofada camisa canarinho, é resgatada do fundo do armário após quatro anos de esquecimento. Até o patriotismo, que também manteve-se mofando, escondido em algum guarda-roupas durante os mesmos quatro anos volta a pulsar nas veias mais esverdeadas do que antes, e agora, também amareladas.

Também... Tanta empolgação não é pra menos.
Com show de bola pra cima de Zimbabwe e Tanzânia, quem é que não se anima? (Zimb..Zimbwea...Zimbabweanos... enfim, moradores do Zimbabwe e da Tanzânia que me desculpem)

BRASIL, o país do futebol.
E nós, brasileiros, torçamos com força de guerreiro para nossos brazucas.
E que Coréias, Costas do Marfim e compania sejam como Tanzânias e Zimbabwes. Caso não sejam, é bom que o verde de nossas veias aguentem o amarelado que por ventura possa vir.




→ Jack soul brasileiro e não ofereço à minha seleção a torcida esperada.
Ofereço aos brasileiros, dreads verde e amarelos com um precinho camarada. Quem se interessar, pode me procurar.